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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Ocasionalmente (mais vezes que as que gostaria) sinto mesmo que o meu tradutor interno é venezuelano e que em vez de fazer o seu trabalho foi beber uma cervejinha ou fazer figuração numa qualquer novela do seu país cujo título não deve andar muito longe de "Corazon Molestado", "Se Nos rompio El Amor" ou "Ganas de Vivir", tal é o tempo que decorre entre o que me dizem e eu percebê-lo de facto. Posto isto, a pergunta que se impõe é: Quantas vezes será aceitável pedir para repetiram uma coisa que não percebemos à primeira?
sábado, 22 de março de 2008
Gente. Muita. Todo o Mundo aqui.
Gente que canta na rua, que fala com quem não conseguimos ver. Gente a correr, sempre e cada vez mais. Gente que entra e sai dos sítios onde se come com ritmo de maratonista. Os ténis estão lá, a meta também.
Mais gente, ainda mais rápido, mais, mais e ainda mais.
Gente sem calma para perder tempo a explicar o que se não percebeu à primeira.
Gente que mantém a todo o custo a cara que diz aos outros que está tudo bem. Todos sabem que não está.
Gente com um entusiasmo podre na voz. Usam-na para emitir mais sinais aos do outro lado para que não se preocupem.
Gente que, por vezes, suscita algum interesse. Não saber o que fazer com isso. E sempre a voz, lá atrás, a garantir que está tudo bem. Não ter a certeza absoluta disso.
Fazer um esforço para que os olhos não descaiam, para que não digam "se calhar não está tudo bem.." Manter a postura. Corrigi-la um milhão de vezes. Uma mais ainda. Hesitar entre o desleixado e o rígido repelente de contacto.
Com a cara a mesma coisa.Tentar perceber com que expressão estamos. Oscilar entre o fácil e o demasiado disponível e o ausente e o inalcansável. Cansaço. Tentar percer tudo isto nos outros. Alívio. Não muito.
Querer o meu canto. Ser arrancado de lá com um "Então? Não falas? O silêncio como coisa má. O objectivo é exterminá-lo.
Muitos filmes na cabeça. Falta o abraço do sofá de sempre e o comando para mudar de canal ou desligar.
Gente.
Muita.
Gente que canta na rua, que fala com quem não conseguimos ver. Gente a correr, sempre e cada vez mais. Gente que entra e sai dos sítios onde se come com ritmo de maratonista. Os ténis estão lá, a meta também.
Mais gente, ainda mais rápido, mais, mais e ainda mais.
Gente sem calma para perder tempo a explicar o que se não percebeu à primeira.
Gente que mantém a todo o custo a cara que diz aos outros que está tudo bem. Todos sabem que não está.
Gente com um entusiasmo podre na voz. Usam-na para emitir mais sinais aos do outro lado para que não se preocupem.
Gente que, por vezes, suscita algum interesse. Não saber o que fazer com isso. E sempre a voz, lá atrás, a garantir que está tudo bem. Não ter a certeza absoluta disso.
Fazer um esforço para que os olhos não descaiam, para que não digam "se calhar não está tudo bem.." Manter a postura. Corrigi-la um milhão de vezes. Uma mais ainda. Hesitar entre o desleixado e o rígido repelente de contacto.
Com a cara a mesma coisa.Tentar perceber com que expressão estamos. Oscilar entre o fácil e o demasiado disponível e o ausente e o inalcansável. Cansaço. Tentar percer tudo isto nos outros. Alívio. Não muito.
Querer o meu canto. Ser arrancado de lá com um "Então? Não falas? O silêncio como coisa má. O objectivo é exterminá-lo.
Muitos filmes na cabeça. Falta o abraço do sofá de sempre e o comando para mudar de canal ou desligar.
Gente.
Muita.
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